A Deten se mantém sempre em movimento em busca de melhorias contínuas

Segundo o diretor Geral da Deten, José Luis Gonçalves de Almeida, que também é membro do Conselho de Administração do Cofic, presidente do Citec - Conselho de Inovação e Tecnologia da FIEB e conselheiro da Abiquim - Associação Brasileira da Indústria Química, todos os negócios estão passando por uma mudança espetacular, como nunca houve na história, sofrendo os fortes impactos da transformação digital.

“A indústria química está assoberbada com essas transformações, tanto com a velocidade das mudanças quanto com a amplitude do impacto gerado. Como não temos uma fórmula pronta, precisamos nos preparar fazendo cursos de especialização para absorver essas novidades. Inteligência Artificial, Big Data e Machine Learning, assim como inovações e diferentes aplicações de softwares, com algoritmos cada vez mais potentes, já são uma realidade”, reflete José Luis Almeida. 

Ele diz que se preocupa muito com a formação do brasileiro que atua na indústria química, e de maneira geral, sendo fundamental identificar as habilidades e as competências necessárias para que o profissional possa acompanhar essa transformação.

“Os engenheiros técnicos, por exemplo, que atuam nas fábricas, precisam de uma formação adicional para não ficarem obsoletos. Tudo está acontecendo muito rápido e o grande valor, hoje, é criar essa vantagem competitiva”, pontua.

Transformação digital

Apesar do cenário ainda em construção, Almeida revela que está bastante otimista com o atual momento de transformação digital, acreditando que essa pode ser uma oportunidade da indústria local se tornar mais competitiva no mercado internacional, incorporando as novas tecnologias nos processos petroquímicos e nos projetos industriais.

"Como o uso da inteligência artificial, do deep learning, da realidade virtual e aumentada, por exemplo, na formação, nos treinamentos e na multifuncionalidade dos profissionais. O que também pode acontecer como uma gamificação, utilizando o conceito de jogos e os diferentes graus de dificuldade para avançar em cada etapa”, esclarece.

Na Deten, o diretor confessa que muita coisa já mudou e várias experiências estão em andamento. A empresa possui laboratórios automatizados em rede com equipe qualificada para entender a linguagem das máquinas, a instrumentação, as análises químicas on line com interpretações físicas, conseguindo realizar a automação da planta com bastante eficiência.

"Demos um passo a mais ao introduzir, via start ups, testes com inovações para análises on line das especificações da planta. O que antes era feito a cada 45 minutos ou a cada duas horas, ganhou uma frequência de milhares de análises por segundo, com informação permanente e em tempo real. Essa mudança gerou uma grande economia, tanto no processo industrial quanto no preço do produto, melhorando nossa competitividade no mercado”, defende.

Outra importante transformação ocorreu a partir da ferramenta de inteligência  artificial Machine Learning, que permite a evolução do aprendizado da máquina  em função do reconhecimento de determinados padrões. “Conseguimos introduzir a tecnologia em equipamentos rotativos críticos, que podem quebrar mesmo com uma manutenção preventiva, que agora passou a ser prescritiva, ou seja, o novo sistema nos permite determinar o momento exato de fazer a manutenção com o melhor custo-benefício do aparelho, reconduzindo a um processo econômico muito grande”, avalia.

Outros testes também estão sendo realizados, como a utilização do conceito de redes neurais na operação das colunas de gás natural, otimizando o custo de energia variável. Todos os dados ficam na nuvem, onde são processados para gerar recomendações de melhorias. “Muitos exemplos já estão em curso, estamos testando e aprendendo para melhorar a cada momento, não existe uma regra”, ressalta José Luis Almeida.

Educação

Outro ponto que ele frisa como determinante nesta era de rápidas mudanças é a questão da cultura e do comportamento dentro das empresas, uma vez que as pessoas ainda não estão preparadas e atualizadas para absorver todas as interfaces disponíveis. E essa adequação é urgente. “Todos têm que mudar, é uma nova vida onde todos os profissionais estão em transformação e onde a educação continuada se torna cada vez mais essencial. É o conceito chamado Long Life Learning, quer dizer, aprender por toda a vida”.

No quesito Educação, o presidente do Citec aposta na atuação e nos planos do SENAI, CIMATEC e do SEBRAE para o setor industrial, assim como no programa do governo federal que criou, em 2019, a Câmara Brasileira para a Indústria 4.0. Projetos que devem alavancar as novas competências e habilidades para o profissional do futuro.

Almeida conta que já está trazendo para dentro da indústria algumas iniciativas de sucesso, com repasse de cursos de inteligência artificial, banco de dados, redes neurais, ciências de dados e outras novidades tecnológicas para expandir as áreas de conhecimento dos profissionais que atuam no setor, seja na área administrativa ou nos sites das fábricas.

"Temos que ter uma nova entrada de dados na cabeça, mudar um pouco o nosso mind set para oxigenar nossos programas e equipes, considerando modelos de treinamento não monolíticos, mas que vão se adaptando ao mundo também em transformação. Essa também é uma questão cultural que estamos trabalhando com a área de RH”, admite.

Ele considera essa iniciativa muito importante para a criação de habilidades adaptativas além da base industrial, uma vez que cada vez mais surgem diferentes especialidades e exigências com relação ao novo perfil profissional na atualidade. “É preciso urgentemente aprender a trabalhar em grupo, ser mais tolerante, saber ouvir, reconhecer diferenças, respeitar e valorizar a diversidade intelectual”, completa.

Agilidade empresarial

O conselheiro do Cofic e da Abiquim também destaca a necessidade de ser mais ágil nos negócios e refletir sobre outras possibilidades de entrega de produtos e serviços, indo além do escopo original do propósito empresarial. Ele sinaliza que, hoje, o lucro das empresas também pode vir de aplicações ainda não imaginadas, sendo possível agregar novos valores ao negócio absorvendo as novas tecnologias para criar demandas inusitadas.  

A unidade da Deten Química no Polo Industrial de Camaçari tem uma importância muito grande nesse sentido. Ela colocou o Brasil na era dos detergentes biodegradáveis e é a maior planta da empresa, que atua no Brasil, na Espanha e no Canadá. A empresa fornece matéria-prima para o mercado brasileiro inteiro, além de outros países da América do Sul, tendo capacidade para também atender outras localidades. “Do ponto de vista logístico, o desafio para explorar novos mercado é a falta de infraestrutura do País e dos nossos portos, além do alto valor do uso de energia, de transportes e mão de obra, o que coloca os custos em um patamar  muito elevado, prejudicando nossa competitividade”, evidencia.

Mesmo assim a Deten conta com bons resultados, pois gera um produto sustentável, 100% biodegradável, que entra na composição de todos os detergentes nacionais. "A Deten é uma empresa rentável para o Polo, gera um caixa muito bom, com um faturamento aproximado de R$ 1,5 bilhão bruto,  tem um trabalho intensivo em tecnologia, não tem muitos funcionários, mas emprega 183 pessoas com formação altamente qualificada. O investimento nos treinamentos internos é muito grande e isso aumenta a capacidade intelectual da região e do próprio Polo”, avalia. A Deten também gera emprego de terceiros nas áreas de manutenção, serviços e de peças sobressalentes, onde o próprio crescimento do Polo ajuda a alavancar uma série de outros negócios.

Outro forte movimento do Polo e da Deten é com relação à sustentabilidade das ações, respeito aos stakeholders, ao meio ambiente e comunidades vizinhas. A empresa atua dentro do conceito de portas abertas e José Luis Almeida comenta que realiza visitas internas  periódicas à fábrica para explicar como funciona uma indústria química e a importância do seu papel na sociedade, inclusive a partir das diferentes aplicações finais dos seus produtos, como  polímeros utilizados na fabricação de lentes intraoculares que ajudam a corrigir catarata degenerativa. Outro exemplo é o impacto zero no meio ambiente, por fabricar um produto 100% biodegradável, que se decompõe em apenas oito horas.

"Nosso principal valor é a segurança, dentro e fora da fábrica, assim como o apoio aos projetos sociais do Cofic. Para isso, apostamos numa melhoria contínua  da nossa versão em beta, que nunca está pronta, mas está sempre em movimento, se aprimorando”, conclui.

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