Pesquisa para proteger manguezais tem apoio da Tronox

Um projeto que reúne os saberes acadêmicos e populares para proteger manguezais baianos do petróleo cru que têm chegado ao litoral do estado desde o início de outubro está recebendo apoio financeiro da Tronox Pigmentos do Brasil. Para viabilizar a pesquisa, a empresa doou cinco redes que estão sendo utilizadas no desenvolvimento da nova técnica, totalizando um investimento de R$ 40 mil na compra do material. 

“Diante do desastre ambiental de derramamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste, os esforços de todos os setores da sociedade devem ser somados com o objetivo de minimizar os impactos. Certamente, os resultados trarão suporte técnico e científico para eventos futuros”, defende a líder de Meio Ambiente da Tronox na Bahia, Geiza Oliveira. 

Professores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), em parceria com comunidades de pescadores e marisqueiras, estão estudando meios de “pescar” o petróleo. A iniciativa conta com apoio do Inema e da Bahia Pesca. 

A técnica em desenvolvimento consiste na instalação de redes na entrada dos estuários para que o óleo fique retido em suas malhas e não alcance os manguezais. As redes doadas pela Tronox têm 100 metros e são instaladas diagonalmente ao curso do rio, colocadas em escada, de forma que não impeçam a passagem de peixes e outros animais. “A ideia é capturar o óleo que entra durante a maré de enchente”, explica o coordenador do Laboratório de Biologia Pesqueira da Uefs, George Olavo Mattos e Silva. 

Professor da Faculdade de Biologia da Ufba, o oceanógrafo Francisco Barros explica que os estuários são caracterizados pelo encontro da água doce do rio com a água salgada do mar. Os manguezais estão associados a esse ambiente e têm funções importantes, como servir de berçário para várias espécies de peixe, caranguejos e mariscos. 

“Os manguezais têm ganhado uma grande importância para a mitigação das mudanças climáticas, visto que são um dos ambientes que mais acumulam carbono no solo”, ressalta Barros. O professor reforça a necessidade de se empenhar todos os esforços para evitar que os manguezais sejam impactados pelo óleo cru que tem chegado às praias e já alcançou algumas áreas de mangue. Segundo informações do Ibama, 651 localidades de 10 estados, sendo 246 na Bahia, foram atingidas pelo óleo.

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