Os desafios da indústria baiana, suas perspectivas de crescimento e diversificação estiveram no centro do debate realizado no último dia 26 de maio pelo Grupo A Tarde na Federação das Indústrias do Estado da Bahia, com a presença de líderes do setor, especialistas da área e representantes do segmento público. O evento contou com a participação do presidente do Conselho de Administração do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari, Carlos Alfano, - que também é diretor industrial da Braskem – além do superintendente Geral do Cofic, Aurinézio Calheira.
Intitulado ‘Indústria em Pauta: O DNA da Nova Bahia’, o debate abordou especialmente a crise climática e suas consequências junto ao setor industrial, que precisa continuar crescendo e de maneira sustentável. Segundo os panelistas, as indústrias baianas buscam aproveitar esse novo momento de industrialização, investindo em alternativas energéticas e matérias-primas renováveis. Para isso, como destacou Carlos Alfano, é preciso determinação e equilíbrio. Ele explica que a indústria sustentável precisa ser competitiva e que agregar tecnologia não significa redução de empregos.
Neste momento, como ressaltou, o panorama da indústria baiana é de transformação e desenvolvimento. “Ainda vivenciamos um mundo de exportação de commodities e estamos em transição em termos de desenvolvimento industrial. Estamos passando de uma indústria que era concentrada em grandes players e poucos produtos e estamos diversificando”, afirma.
Acompanhada dessa transformação há uma necessidade de capacitação de mão de obra, ressalta o superintendente do Cofic, Aurinézio Calheira, outro convidado do evento. “Temos ilhas de conhecimento, como o Polo Industrial de Camaçari, com uma mão de obra extremamente capacitada, mas é preciso que isso seja ampliado para termos futuros profissionais com educação voltada também para a indústria”, comenta. Ele destaca a importância disso para o estado não ser só um exportador de energia e matéria-prima, mas atuar como um player no mercado.
Além da transição energética, especialistas apontam setores estratégicos que podem impulsionar a nova fase industrial. Há setores estratégicos que podem se beneficiar com a consolidação da indústria verde na Bahia, diz o gerente executivo de desenvolvimento industrial da Fieb, Marcus Verhine, integrante do grupo de painelistas do evento. “O biocombustível, sem dúvida nenhuma, é um setor forte. A química tem chance de fazer uma conversão e se adaptar ao desafio da indústria verde. Temos projetos de refino ligados à produção do querosene sustentável para a aviação”, afirma, destacando também o potencial da mineração baiana neste novo cenário industrial. “A mineração baiana é destaque do ponto de vista da pesquisa mineral e há uma intensidade enorme aqui, sobretudo com minerais críticos”, completa.
Já o superintendente de Atração de Investimentos e Fomento ao Desenvolvimento Econômico da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Luciano Giudice, ressaltou, em sua fala, as ações do governo do Estado para expansão industrial e geração de empregos. Giudice explica que a pasta está no processo de elaboração de uma nova política industrial para o estado, construída em parceria com outras instituições. “Está sendo feito todo um trabalho de levantamento, de identificação da cadeia, de avaliação desses players. E a partir disso aí, toda a cadeia da indústria da Bahia está sendo mapeada e propostos novos planos, novas ações, novos direcionamentos”, comenta. Além disso, ele ressalta que a pasta tem atuado na concessão de incentivos fiscais, benefícios para instalação de empresas e disponibilização de áreas industriais para a realização de novos