A chinesa Windey Energy, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos para energias renováveis, vai instalar, no Polo de Camaçari, a primeira fábrica de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS - Battery Energy Storage Systems) da América Latina e que será a base de operações da companhia para todo o continente. Ao todo, o investimento previsto é da ordem de R$ 100 milhões ao longo dos próximos cinco anos, sendo cerca de R$ 30 milhões aplicados já no primeiro ano de operação. Com capacidade estimada em 1,5 GWh por ano, a unidade deve iniciar as operações no primeiro semestre de 2027.
Com esse investimento no Polo de Camaçari, a Windey se posiciona para o primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia do Brasil, que vem sendo estruturado pelo Ministério de Minas e Energia. Previsto para dezembro, um dos certames será direcionado a projetos de fabricantes que produzem localmente. Além de mirar o leilão do governo, a companhia projeta atender à crescente demanda de projetos de energia solar e eólica (renováveis), sistemas de transmissão e distribuição de energia e também de grandes consumidores industriais que buscam autonomia elétrica.
A escolha da Bahia e do Polo de Camaçari para instalar a fábrica foi influenciada pela capacidade técnica e acolhimento. "O que nos fez decidir pela Bahia foram dois fatores: o povo mais feliz do Brasil e a competência que a gente tem aqui. Conseguimos reunir um ecossistema que vai desde o Senai Cimatec até a Fieb e a CNI. Nossa sede está instalada dentro do Cimatec, onde temos nosso Centro de Pesquisa e Desenvolvimento. Foi essa rede de parcerias que nos deu segurança para trazer essa fábrica para a Bahia”, afirmou Ricardo Galvão, CEO da Windey Energy no Brasil, na cerimônia de lançamento da pedra fundamental, no último dia 9 de junho, no Polo de Camaçari.
Galvão lembrou que o projeto começou a ser desenhado há cerca de um ano e meio, durante uma missão à China que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Assinamos esse acordo na China com a presença do presidente Lula. Na época, ele até brincou comigo dizendo que eu tinha um desafio: escolher entre a Bahia e o Piauí. Mas meu coração já tinha decidido, porque eu sou baiano. Ainda assim, precisávamos de mais do que sentimento. Precisávamos de competência, de apoio institucional e de um ambiente favorável para os negócios. E foi isso que encontramos aqui”, declarou.
Presente na cerimônia de lançamento da nova fábrica, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, ressaltou a “alegria em saber que a Windey fez estudos sobre os melhores lugares para instalar sua planta industrial e escolheu o Nordeste, a Bahia, que possui terras com os melhores potenciais de vento e de sol, além da biomassa. E o complexo que estão instalando aqui para baterias não diz respeito apenas a uma energia ou a outra, mas a um conjunto para garantir o armazenamento".
Também presente no lançamento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, destacou a vantagem competitiva da nova fábrica: "Estamos falando aqui da perspectiva de criar soluções, de habilitar uma indústria da energia, aproveitando o vento, que a Bahia tem em abundância, para produzir energia. Estamos falando de criar condições para atender demandas do setor econômico, onde ainda temos espaço para crescer".
A cerimónia de lançamento da nova fábrica da Windey Energy no Polo de Camaçari contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, e outras autoridades políticas, além de executivos globais da Windey Energy, representantes do governo chinês e lideranças de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e a Associação Brasileira das Empresas de Armazenamento de Energia (ABSAE).
Sobre a Windey Energy
A Windey Energy é a terceira maior fabricante mundial de turbinas eólicas, líder em tecnologias de hidrogênio verde e sistemas BESS, as chamadas superbaterias. A sua fábrica no Polo de Camaçari vai produzir esses equipamentos, que funcionam como grandes bancos de armazenamento de energia em escala industrial. Esses sistemas guardam o excedente gerado por fontes renováveis (como eólica e solar) para liberar na rede elétrica nos momentos de pico ou quando não há vento e sol.