Neste mês dedicado às mulheres, uma constatação se consolida: tem sido cada vez maior a presença feminina no Polo de Camaçari. As mulheres vêm ocupando não apenas cargos administrativos e de liderança, mas também funções operacionais historicamente masculinas. O movimento é fruto de políticas de atração, retenção e desenvolvimento de talentos femininos, ampliando as transformações mais recentes da cultura industrial. Um dos exemplos é Lorena Brasil, promovida a gerente de DHO (Desenvolvimento Humano Organizacional) da Bracell logo após a licença-maternidade. “Isso envia uma mensagem poderosa para toda a organização: a maternidade não é pausa na carreira. Para mim, foi impulsionador”, afirma. A história de Lorena reflete o que ocorre em outras empresas, como Braskem, Bridgestone e Birla Carbon.
“Desde que entrei na Bracell, no final de 2019, minha vida passou por uma transformação profunda. Entrei como analista e, em pouco mais de cinco anos, tive a oportunidade de trilhar um caminho como Business Partner de RH, coordenadora, até chegar à gerência — posição que ocupo há pouco mais de um ano. A empresa também investiu na minha formação, com certificações importantes, e confiou no meu potencial em cada etapa. Falando em transformações, preciso citar o ponto alto que chegou em 2024, quando me tornei mãe. A maternidade me trouxe uma nova perspectiva sobre gestão de pessoas e cultura: hoje sou uma líder muito mais resiliente e focada em construir um legado, tanto para o meu time na Bracell quanto para a minha família”, ressalta Lorena Brasil.
Na Bracell, a atração e retenção de talentos femininos fazem parte de uma agenda estratégica integrada ao Pacto Bracell 2030. Um dos compromissos é alcançar 30% de mulheres em posições de liderança até 2030. Para isso, a companhia estruturou a Trilha de Desenvolvimento exclusiva para mulheres, combinando formação técnica, aceleração de carreira e políticas de suporte. Complementando essa estratégia, destaque para o Programa Acelera, que funciona como porta de entrada para talentos da comunidade local, sem exigência de experiência prévia — apenas formação técnica ou profissionalizante — e com reserva de vagas para mulheres.
Ações na Braskem
Nas plantas industriais da Braskem no Polo de Camaçari, a presença feminina cresceu em 2025, alcançando 12% nas posições operacionais, 32% nos cargos de liderança e mais de 40% nas áreas administrativas, além de registrar 66% de mulheres nas novas contratações de engenharia. “Desde 2015, a Braskem vem desenvolvendo ações e iniciativas voltadas a promover a equidade de gênero comprometida com os Princípios de Empoderamento da Mulher (WEPs), da ONU Mulheres e do Pacto Global”, afirma Ana Luiza Salustino, gerente de Pessoas e Organização da Braskem no Nordeste.
Entre os programas adotados pela companhia, a gerente ressalta o Programa de Estágio Técnico e Universitário da Braskem, que historicamente oferece vagas afirmativas para grupos minorizados, entre eles, mulheres. “Além disso, no ano de 2023, foi lançado, em parceria com o Cofic, o curso pós-técnico de formação de operadores com bolsas, cujo critério qualitativo classificatório, após atingimento do critério técnico, foi o gênero. Tudo isso para ampliar as possibilidades de ingresso das mulheres na indústria”, complementa.
Com 10 anos de empresa, Lícia Taciana Costa Pires, operadora de Produção na unidade Q1-BA, conta sua experiência: “ingressar na Braskem foi a realização de um sonho. Ano passado me certifiquei como operadora de painel de elétrica, um marco na minha carreira. Desde o meu ingresso, percebi uma série de mudanças práticas no ambiente e na cultura da empresa que tornaram o espaço cada vez mais acolhedor e atrativo para as mulheres. Um dos pontos mais marcantes foi o reforço nos Diálogos Diários de Segurança (DDS) no turno, as reuniões com P&O, o fortalecimento das redes de apoio, além da empatia dos colegas e da liderança. Também tive o exemplo e incentivo de outras operadoras mais antigas que conseguiram consolidar suas carreiras”.
Capacitação exclusiva na Bridgestone
Na Bridgestone do Polo de Camaçari as mulheres também estão em ascensão. Em parceria com o Senai, a empresa desenvolve iniciativas voltadas à qualificação e ao fortalecimento da presença feminina na indústria. Em 2025 avançou ainda mais e lançou a primeira edição do Programa Empoderar para Transformar com foco exclusivo na capacitação e desenvolvimento de mulheres. Integrante do programa de qualificação da Bridgestone em 2022 com vagas exclusivas para mulheres, a operadora Dejane Silva dos Anjos, conta que “o projeto foi fundamental para meu aprendizado e desenvolvimento profissional”. Com três anos de empresa, ela destaca “a implementação de diversos projetos voltados ao público feminino, além de outras iniciativas, como as Pílulas da Diversidade, que promovem conscientização e diálogo, além de espaços como o Café com o Gestor, onde podemos ser ouvidas. A cada dia, sentimos a presença feminina mais forte e valorizada no chão da fábrica”.
Essa realidade também é comprovada por Jaqueline Silva Lima Leite, líder de Produção. “Ao longo dos meus 11 anos na empresa, é notório o quanto a empresa vem avançando na inclusão feminina. Fui a primeira mulher a atuar como líder de equipe de produção na Bridgestone do Brasil. O número de mulheres no chão de fábrica cresce a cada dia, impulsionado por iniciativas como o grupo de diversidade e o programa Empoderar para Transformar, que contribui para nossa capacitação contínua. Também houve melhorias estruturais importantes, como adequações nos banheiros femininos e uniformes adaptados para mulheres e gestantes. Esses investimentos demonstram o compromisso da empresa com um ambiente cada vez mais acolhedor”.
Prioridade na Birla Carbon
A Birla Carbon também vem priorizando a contratação de mulheres em sua unidade do Polo de Camaçari, além de promover atividades interativas, palestras, troca de experiências e programas voltados para o desenvolvimento de carreiras. Com quase 20 anos na empresa, Fabiana Santo, Comprador Pleno, conta o que mudou desde 2006, quando iniciou sua jornada na fábrica em fase de construção:
“Quando entrei na Birla Carbon o ambiente industrial era majoritariamente masculino e as estruturas eram pensadas sob essa ótica. Com o tempo, percebi uma mudança intencional da empresa. Na prática, isso foi desde a adequação de infraestrutura (como vestiários, uniformes e calçados para mulheres) até a criação de comitês de diversidade e políticas claras de equidade. Hoje, a cultura é muito mais aberta ao diálogo; não somos apenas 'mulheres na indústria', somos profissionais avaliadas por competência, com lideranças que entendem a importância da voz feminina em cargos de decisão e a necessidade de um ambiente seguro e respeitoso. E isso me deixa feliz”.
Conselhos para as mulheres
Com as portas cada vez mais abertas para a presença feminina no Polo de Camaçari, as recomendações das profissionais veteranas ajudam a orientar quem deseja aproveitar as oportunidades. A executiva Lorena Brasil, da Bracell, afirma: “O Polo industrial pode parecer um sonho distante à primeira vista, mas é solo fértil para quem busca excelência e uma carreira promissora. Acreditem que é possível conciliar grandes sonhos. Eu sou a prova viva de que você pode desenvolver uma carreira sendo mulher e mãe. Mas estejam preparadas, busquem as certificações que o mercado pede. E não se esqueçam, não escolham entre a carreira e a vida pessoal, escolham lugares que respeitem as duas versões de vocês”.
Já a operadora Lícia Taciana Costa Pires, da Braskem, sugere: “Acreditem na educação e em si mesmas. Estudar sempre vai te levar a algum lugar, você nunca ficará parada. Estejam prontas, pois a oportunidade chega e os impactos serão positivos não só na vida de vocês, mas também na daqueles que te cercam”. A operadora Dejane Silva dos Anjos, da Bridgestone, por sua vez, assegura: “Sejam confiantes, acreditem em si mesmas e nas suas habilidades. Não tenham medo: vocês são capazes de conquistar seus sonhos”.
E Fabiana Santo, da Birla Carbon, afirma: “O Polo de Camaçari é um universo de oportunidades e ele é nosso, de quem vive na região. Preparem-se tecnicamente, mas também cultivem a inteligência emocional. O ambiente industrial exige firmeza, mas ele ganha muito com a nossa visão estratégica e atenção aos detalhes. Procurem capacitação, ocupem os espaços e saibam que as portas que abrimos lá atrás hoje estão bem mais largas para vocês passarem. O Polo não é lugar de homem ou de mulher; é lugar de quem quer construir o futuro”.